O Santo do Dia - São Valentim (14 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 13)



São Valentim
(14 de Fevereiro)
Presbítero e Mártir
(comemoração - paramentos vermelhos)

Foi presbítero da Igreja Romana e deve ter sofrido martírio à volta de 270. Na via Flaminiana, no próprio lugar onde sofreu, mandou o Papa Júlio I levantar-lhe uma basílica que outrora foi muito muito venerada. Depois o culto do Santo passou também a Terni, onde a piedade popular ingenuamente lhe conferiu o título de Bispo, o que levou ao erro de se admitir dois santos com esse nome.


(comemoração, dia 15)

O PADRE-NOSSO - A MODIFICAÇÃO INTRODUZIDA (IV)

(continuação da III parte)
§4

Um dia, em Lausanne, o Ministro dos Estrangeiros da Itália fascista, Grandi, a respeito do debate, então muito aceso, sobre a questão das dívidas da Guerra, disse segundo os jornais de todos os matizes: "E' questo il momento di applicare veramente, ciiascuno nei riguardi di tutti, l'incocazione evangelica - rimetti a noi i nostri debiti, come noi li rimettiamo ai nostri debitori."

O Osservatore Romano publicou logo um longo artigo intitulado La quinta petizione del "Paster Noster", começando a lembrança do estadista italiano; e começava assim: "L'On. Grandi, i cui discorsi hanno il merito di una indiscutibile franchezza rettilinea e di una cristaliana limpidezza, parlando ai guirnalisti a Losanna e dichiarandosi sempre più convinto dell'unica soluzione possibile, quella del colpo di spugna, ha riassunto efficacemente il suo pensiero con unrichiamo a semplici e grandi parole sacre, che is cristianesimo ha inserite nella coscienza civile, anche se non sono troppo spesso norma pratica di vita individuale e sociale."

Transcrevia as palavras de Grandi, e continuava, assim, o Osservatore Romano, órgão oficioso da Santa Sé: "Sebbene il diretto significato politico, che queste parole... assumono nella presente condizione internazionale, sia di una perfetta... transparenza, dati gli intimi sentimenti che distinguono l'On. Ministro degli Esteri italiano, è del tutto escluso il ricorso alle parole del Vangelo come ad una battuta di spirito , che anzi il preciso e paricolare significato politico, a cui sone tratte, include e pressuppone, a nostro parere e sino a rimanerne molto nobilitata la battuta, tutto il profundo valore morale e sociale delle espressioni, che formano una delle Pater Noster, la quinta, e appartengono al Discorso della Montagna."

Não se insurgiu o órgão oficioso do Vaticano com a aplicação do Pai-Nosso a um fim político e material, qual fosse o da liquidação das Dívidas de Guerra contraídas pelos Estados, antes folgou com que em tal emergência, se tivesse invocado a palavra do Senhor. Não se arreceou o Osservatore Romano da confusão estabelecida entre dívidas materiais, e pecados ou ofensas à Lei Divina, e não atalhou os passos à exegese atrevida que do Pai-Nosso fez Grandi, ministros dos Estrangeiros da Itália fascista - propondo, para se evitarem interpretações erróneas ou perigosas, a substituição das palavras debiti e debitori.

Conclusão

Salvo o absoluto respeito que é devido ao Episcopado português, e considerando:

1.º) Que se ignora a expressão textual da Oração dominical tal como a proferiu Jesus Cristo;

2.º) Que os textos da versão grega do Evangelho segundo S. Mateus, e do original grego do Evangelho segundo S. Lucas, não condizem nos termos empregados;

3.º) Que não só nos citados Evangelhos, mas nos textos profanos, se distinguem opheilema e harmatía, não sendo lícita qualquer transposição mútua nos dois termos;

4.º) Que a Vulgata também distingue debitum e peccatum;

5.º) Que em alemão, castelhano, inglês, italiano e português, sempre se adoptou a tradução literal de debitum e debitor, ou de opheilema e hamartía;

6.º) Que em francês não há unanimidade de versões, antes se hesita sobre as palavras que hão-de corresponder aos termos grego e latino;

7.º) Que em português, desde os princípios do século XIV, pelos menos, sempre se disse "perdoai as nossas dívidas, como nós perdoamos aos nossos devedores".

8.º) E, finalmente, que toda a alteração de orações produz confusão e embaraço nos espíritos simples e sensíveis, e com maior razão, a da oração dominical que todos sabem ter sido composta pelo Senhor;

parece-me que não se colherá vantagem apreciável na substituição de expressões do Pai-Nosso, e na afirmação tácita que se faz de que, durante pelo menos, seis séculos, se rezou indevidamente esta oração, tão indevidamente, que houve necessidade de a alterar. 

Lisboa, 20 de Novembro de 1941

O Santo do Dia - As Cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo (13 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 12)

As Cinco Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo
(13 de Fevereiro)

 
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

A festa em honra das Cinco Chagas em Portugal teve origem na visão milagrosa que o Venerável Rei D. Afonso teve antes da batalha de Ourique, na qual Nosso Senhor deu às Armas de Portugal as suas 5 Chagas. Com toda a certeza, inegavelmente, por este episódio é Portugal de fundação divina.

D. João V, nos planos para a capela do Divino Espírito Santo e S. João Baptista advertiu o italiano arquitecto Vanvitelli que o brasão de Portugal fosse retirado do piso da capela, no projecto. O arquitectecto respondeu que é este um costume nas capelas reais da Europa. A Côrte portuguesa enviou-lhe então a seguinte correcção: quanto ao brasão real de Portugal, por ter as 5 Chagas de Nosso Senhor nunca se usa coloca-lo em local que possa ser pisado.

(continuação, dia 14)

O Santo do Dia - Santos Sete Fundadores dos Servitas (12 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 11)

Santos Sete Fundadores dos Servitas
 (12 de Fevereiro)
Confessores
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

A liturgia venera hoje sete nobres florentinos, que jo século XII, época em que a Itália e Florença se descarnavam ferozmente, em intermináveis lutas intestinas, deixaram o mundo e foram reunir-se no monte Senário para fundar, nas proximidades da cidade que lhe deu o berço, a Ordem dos Servos de Maria, consagrada à penitência e meditação das dores de Nossa Senhora na Paixão do Salvador. A influência da nova Ordem chegou rapidamente à França, Alemanha e Polónia e dái atingiu o mundo todo. Conta actualmente [1963]  1500 religiosos dispersos por 85 conventos. Dedicam-se a toda a espécie de actividade apostólica, mas particularmente aos estudos marianos.

(continuação, dia 13)

O Santo do Dia - Aparição de Nossa Senhora em Lurdes (11 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 10)


Aparição de Nossa Senhora em Lurdes
(11 de Fevereiro)
(festa de 3ª classe - paramente brancos)

Desde 11 de Fevereiro a 16 de Julho de 1858, precisamente quatro anos deopois de Pio IX ter definido o dogma da Imaculada Conceição, a Virgem Santíssima apareceu 18 vezes a Bernardete, pequena pastora de 14 anos, numa gruta cavada no rochedo de Massabiele, nas cercanias de Lurdes. No dia 25 de Março, a Senhora disse à pequena: "Eu sou a Imaculada Conceição". A partir daqui o humilde e esquecido burgo de Lurdes tornou-se um importante centro de romagens, onde as multidões do mundo inteiro acorrem para testemunhar à Virgem Santíssima a sua devoção. Curas e conversões sem conta tornaram a gruta de Massabiele um lugar de graças e de oração.


(continuação, dia 12)

O Santo do Dia - Santa Escolástica (10 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 9)


Santa Escolástica
(10 de Fevereiro)
Virgem e Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Era irmã de S. Bento. Consagrou-se ao Senhor e viveu não muito distante do mosteiro de Monte Cassino, que o irmão havia fundado. Na sua biografia, que se deve a S. Gregório Magno, há dois milagres que se tornaram célebres e revelam até que ponto era grande a sua pureza de alma e profunda a sua intimidade com Deus. E é que tendo-se um dia S. Bento recusado a prolongar o colóquio espiritual que todos os anos lhe concedia numa dependência do mosteiro, a santa, elevando o coração e os olhos ao Céu, obteve de Deus tempestade tão violenta e tão grande torrente de chuva que o irmão se viu obrigado a não deixar e prosseguir, com ela, a noite toda, na conversação das coisas do Céu. Três dias depois, via S. Bento a alma da sua irmã, resplandecente de pureza, subir ao céu na forma de pomba. S. Bento morreu em 547. Sta. Escolástica pouco antes dele.


(continuação, dia 10)

O Santo do Dia - São Cirilo de Alexandria (9 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 8)

São Cirilo de Alexandria
(9 de Fevereiro)
Bispo, Confessor, e Doutor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Foi Patriarca de Alexandria, uma das metrópoles orientais, e um dos mais acérrimos defensores da fé cristã contra as investidas de Nestório, que negava a unidade de pessoa em Jesus Cristo. Presidiu ao Concílio de Éfeso, em 431, como delegado do Pontífice Romano, e fez definir que, sendo Jesus Cristo, Filho de Deus, ao mesmo tempo Deus e Homem perfeito, a Virgem Santíssima se devia chamar verdadeiramente Mãe de Deus. Morreu em 444 e a Santa Igreja considera-o um dos seus grandes doutores. O seu comentário ao Evangelho de S. João é um dos mais ricos que os Santos Padres nos deixaram. 

(continuação, dia 10)

O Santo do Dia - São João da Mata (8 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 7)

São João da Mata
(8 de Fevereiro)
Confessor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Nasceu na Provença. Ordenado sacerdote em Paris, retirou-se em breve para o ermo, consciente da missão superior a que Deus o chamava, e após três anos de oração e recolhimento, fundou a Ordem da Santíssima Trindade, cujos membros tinham como objectivo o resgate dos cristãos das mãos dos muçulmanos. Novas casas se fundaram e os cativos resgatados foram sem conta. S. João da Mata viveu os dois últimos anos em Roma, onde morreu a 17 de Dezembro de 1213.

(continuação, dia 9)

O Santo do Dia - São Romualdo (7 de Fevereiro)

Relícário de São Romualdo
(da capela de S. João Baptista, da Igreja de
S. Roque - Lisboa)

(ver anterior, dia 6)

São Romualdo
(7 de Janeiro)
Abade
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Fundou o mosteiro de Camaldoli na Toscana, donde nasceu a Ordem do mesmo nome, rebento italiano da Ordem de S. Bento. Os camáldulos têm a particularidade de conjugar, tanto quanto possível, a vida do ermo à vida de comunidade. Morreu em 1027, depois duma austera vida de penitência e oração.



(continuação, dia 8)

O Santo do Dia - São Tito (6 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 5)

São Tito
(6 de Janeiro)
Bispo e Confessor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Depois de ter acompanhado S. Paulo em algumas das suas missões apostólicas, Tito, que Paulo chamava seu irmão e discípulo amado, fixou-se em Creta, tendo sido designado pelo Apóstolo para bispo da ilha. Foi lá, provavelmente, que morreu. Em 823, a sua cabeça, encontrada em Gortigne, foi levada para S. Marcos de Veneza.


(continuação, dia 7)

O Santo do Dia - Santa Águeda (5 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 4)

Santa Águeda
(5 de Fevereiro)
Virgem e Mártir
(festa de 3º classe - paramentos vermelhos)

Ao falar desta santa, nada mais nos resta senão aceitar, a míngua de elementos relativos à época em que morreu e às circunstâncias que lhe rodearam os tormentos da prisão. É padroeira de Catana na Sicília, e o seu culto muito cedo se divulgou e tornou célebre como o de Sta. Luzia, padroeira de Siracusa. Os nomes das duas mártires vêm juntos no cânon da Missa. O intróito Gaudeamus omnes, tantas vezes repetido no decurso do ano litúrgico foi composto expressamente para a Missa de Sta. Águeda.

(continuação, dia 6)

O Santo do Dia - São João de Brito (4 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 3)

Relíquias de S. João de Brito
(da capela de S. João Baptista, da Igreja de
S. Roque - Lisboa)

Santo João de Brito
(4 de Janeiro)
Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

S. João de Brito nasceu em Lisboa a 1 de Março de 1647. Professo na Companhia de Jesus, pediu instantemente a Missão do Maduré, onde trabalhou com tal ardor que mereceu o cognome de "Xavier Português". Vinda às mãos dos infiéis, sofreu o martírio em Urgur a 4 de Fevereiro de 1693, e foi canonizado por Pio XII em 22 de Junho de 1947.

(continuação, dia 5)

O Santo do Dia - São Brás (3 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 2)

São Brás
(3 de Janeiro)
Bispo e Mártir
(comemoração - paramentos vermelhos)

Foi bispo de Sebaste, na Arménia, e sofreu martírio no tempo de Licínio, em 316. O seu culto espalho-se rapidamente em toda a Igreja e devem-se-lhe curas numerosas. 
É advogado dos males da garganta.

(continuação, dia 4)

O Santo do Dia - Purificação de Nossa Senhora (2 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 1)

Purificação de Nossa Senhora
(2 de Fevereiro)


(festa de 2ª classe - paramentos brancos)

A festa de hoje pretende simultâneamente celebrar a Apresentação no Templo e a Purificação da Senhora, 40 dias após o nascimento do Salvador. Enquadra-se, pois, por esta razão, no ciclo do Natal. A procissão das Candeias, que é hoje a procissão das velas, representa simbólicamente a aparição de Cristo, que é a luz do mundo, e o acolhimento que no Templo le fez o velho Simeão, declarando-o enviado de Deus , luz para esclarecer os povos e glória de Israel. O Templo que era o centro da piedade judaica, ao receber Jesus dentro dos seus muros, parece se deverá ter alargado às dimensões do universo. A subida de Jesus ao Templo é pois o tema principal da festa de hoje; mas o pensamento de Maria não se pode encontrar ausente de nenhuma das suas partes. É esta também uma das festas marianas mais antigas, senão até, a primeira de todas. Celebrou-se em Jerusalém já no século IV, passou depois a Constantinopla e atingiu Roma, onde, no século VII, se encontra associada, no dia 2 de Fevereiro, a uma procissão que parece anterior à festividade da Virgem.

(continuação, dia 3)

O Santo do Dia - Santo Inácio de Antioquia (1 de Fevereiro)

(ver anterior, dia 31 de Janeiro)
Santo Inácio de Antioquia
(1 de Fevereiro)
Bispo e Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

Sto. Inácio foi Bispo de Antioquia, cristandade criada por S. Pedro, e é uma das mais bela figuras do episcopado, nos primeiros tempos da Igreja. Condenado às feras e enviado a Roma carregado de grilhões, escreveu às Igrejas da Ásia as cartas admiráveis que nos ficaram com o seu nome e onde fulgura o seu grande amor a Jesus e a sede que o devorava do martírio. "Sou o trigo de Cristo e oxalá venha a ser moído nos dentes das feras para me tornar pão imaculado. Que eu possa imitar a paixão de meu Senhor. Só agora sinto que começo a ser verdadeiro discípulo. Que o fogo, os tormentos da cruz, a luta corpo a corpo com as feras, as mutilações, a pulverização de toda esta carne e finalmente os tormentos mais cruéis que possa a malícia diabólica inventar que sejam infligidos para que possa rapidamente possuir o meu Senhor Jesus Cristo." O intróito e a epístola resumem estes sentimentos e o evangelho recorda que o grão de trigo que se lança à terra, para dar fruto, tem de morrer. Sofreu martírio, em Roma, por volta do ano 110. O nome do Santo vem no cânon da Missa.

(continuação, dia 2)