O Santo do Dia - São Tomé (21 de Dezembro)

(ver anterior,dia 16)


São Tomé
(21 de Dezembro)
Apóstolo
(festa de 2ª classe - paramentos vermelhos)

S. Tomé, que foi por um momento discípulo incrédulo, tornou-se para a Igreja por essa mesma razão, uma das mais firmes colunas da Fé. E a Santa Igreja gosta de nos colocar nos lábios, com frequência, essas palavras tão simples e que tão profundamente exprimem a Fé e ardor do Apóstolo: "Meu Senhor e meu Deus". O Evangelho da Missa relata a aparição, em que o Senhor ordenou a Tomé Lhe tocasse nas chagas, na carne absolutamente real do Verbo Encarnado, morto e ressuscitado, e reconhecesse, com as próprias mãos da sua carne de homem o facto por cuja confirmação perante o mundo, os Apóstolos todos, sem excluir Tomé, deram a própria vida. Sabe-se que Tomé foi além das fronteiras do Império Romano, e pregou o Evangelho, provavelmente aos Persas e aos Índios [e Américas]. Recordemos hoje quanto devemos aos Apóstolos, o que S. Paulo, na epístola da Missa nos convidará a fazer: são os fundamentos e as colunas da Igreja cuja pedra angular é o próprio Filho de Deus. Devemos-lhes o privilégio de ser "concidadãos dos santos" e pertencer à "casa de Deus". [S. Tomé foi o Patriarca do qual se funda o que depois foi a Santa Igreja Patriarcal de Lisboa]

(continuação, dia 26)

Novena do Nascimento de Nosso Senhor

Novena
Para o Nascimento de Cristo Senhor Nosso, que começa a dezasseis do mês, na véspera da véspera da Expectação da Senhora, e acaba na de Natal

Nossa Senhora do Ó
Em todos estes dias será mais a oração quanto for possível, ainda que seja a poucos, e maior o recolhimento do dia na presença de Deus, repetindo as mais vezes que puder ser, as jaculatórias, e aspirações que poremos abaixo para cada dia; acompanhando a Virgem senhora nossa, e a São José nas jornadas de Nazaré a Belém, em que acharemos muita consolação na companhia.

Nestes dias se rezarão nove Padre-Nossos, e nove Avé-Marias de joelhos pela manhã, ou à noite, aos nove meses que Cristo Senhor Nosso andou no ventre da Virgem nossa Senhora, com uma jaculatória, ou aspiração no fim de cada um, ficando uma delas pela ordem dos dias para o exercício quotidiano de cada uma deles, na forma seguinte, à imitação da Igreja na reza destes dias, com as Antífonas dos Ós.

1º. dia: Padre-Nosso; Avé-Maria. Oh Sabedoria infinita, vinde já ao mundo ensinar-nos o caminho de vossa graça, e nossa Salvação!

2º. dia: P.N; A.M. Oh Poder infinito, vinde já ao mundo tirar-nos do cativeiro do demónio na fortaleza de vosso braço!

3º. dia: P.N; A.M. Oh Amor infinito, vinde já ao mundo desposar-vos com as almas de vossas criaturas!

4º. dia: P.N; A.M: Oh Luz infinita, vinde já ao mundo alumiar nossa cegueira para conhecermos o vosso amor!

5 º. dia: P.N; A.M: Oh Majestade infinita, vinde já ao mundo humilhar-vos ao nosso barro para nosso exemplo!

6º. dia: P.N; A.M: Oh Imensidade infinita, vinde já ao mundo nascer em uma lapa, para acabar os faustos, e vaidade deles!

7º. dia: P.N; A.M: Oh Riqueza infinita, vinde já ao mundo enfaixar-vos em pobres panos para cortar nossas demasias!

8º. dia: P.N; A.M: Oh Amor infinito, vinde já ao mundo unir-vos a nós vínculo tão estreito, que nunca mais se aparte!

9º. dia: P.N; A.M: Oh Deus infinito, e amoroso, nascei em minha alma, aonde achareis dureza de pedra, leviandade de palha, apetites de bruto.

Este é o exercício dos nove dias, nos quais jejuarão os que puderem, e os que não puderem jejuar, farão uma abstinência ao jantar [almoçar], ou à noite na quantidade, ou na qualidade; e os que jejuarem esta novena, devem começar o jejum alguns dias antes por quanto entre ela vem sempre algum Domingo, e às vezes dois, nos quais se não jejua conforme o estilo, e uso da Igreja.

Disciplina nos dias costumados, segundas, quartas e sextas, e os que puderem, todos os dias tomá-la-ão, mas só um Miserere rezado: terça, quinta, e véspera de Natal duas horas de cilício cada dia, e os que puderem o porão todos os dias duas horas: e os que não puderem fazes estas penitências , ou algumas delas, as trocarão no que lhes parecer, ou ordenar o seu Confessor. 

Comunhão sacramental dia de Nossa Senhora da Expectação, e dia de Natal; e dia de S. Tomé, Comunhão sacramental , ou espiritual: e nos últimos quatro dias da Novena, que são os de dia de São Tomé por diante, uma esmola cada dia, à honra das que a Senhora pediria nas quatro jornadas que fazem de Nazaré a Belém, e três no dia de Natal, uma a um menino, outra a uma mulher, e outra a um homem, à honra de Jesus, Maria, José. E quem tiver posses mandará dizer as noves Missas desta Novena tão célebre entre os devotos, e as três de dia de Natal.


Retirado de Meditações da Infância de Cristo Senhor Nosso, da Encarnação até os trinta anos de Sua Idade, composto pelo Venerável P. Bartolomeu de Quental em 1683.

O Santo do Dia - Santo Eusébio (16 de Dezembro)

(ver anterior, dia 13)


Santo Eusébio
(16 de Dezembro)
Bispo e Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

Nasceu na Sardenha no século IV, na época em que o arianismo se dava a maiores esforços no sentido de subverter o dogma da Divindade de Cristo. Elevado à cadeira episcopal de Vercelas, na Itália, secundou o Papa Libério  e o sucessor desde S. Dâmaso, cuja festa há pouco celebrámos, na luta empreendida por estes dois pontífices contra a heresia de Ario. Exposto a toda a sorte de ultrajes e condenado, por fim, ao exílio, regressou, ao cabo, à sua cidade episcopal onde morreu em 371. A Igreja tem-no como Mártir, tanto o santo Bispo sofreu na defesa da Fé. 




(continuação, dia 21)

O PADRE-NOSSO - A MODIFICAÇÃO INTRODUZIDA (II)

(continuação da I parte)

Sta. Teresa de Ávila, Doutora da Igreja

§ 2.º

Nós dizíamos, dissemos sempre: "perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nosso devedores".

Pretende-se agora que digamos: "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".

Ofensa dívida são sinónimos? Devedor ofensor são sinónimos?

Em primeiro lugar, não há sinónimos.

Toda a ofensa é dívida; mas nem toda a dívida é ofensa.

A ofensa implica propósito*, intenção de magoar; a dívida pode ser inocente.

Quando peço um livro emprestado, fico na obrigação ou dívida de o restituir; não há ofensa; se desconto uma letra num Banco, contraio a obrigação ou dívida de a resgatar; não há ofensa; se me confiam uma coisa para a dar a outrem, estou em dívida para com este, mas não há ofensa; como inquilino, devo a renda ao senhorio; enquanto lha não pago, dentro do prazo legar, não o ofendo. Se todos estes credores me perdoarem aquelas dívidas - não me perdoam as ofensas. Pedindo a Deus que nos perdoe as nossas dívidas, peço-lhe que nos perdoe tudo quanto fizemos, e não devíamos fazer, ou ou tudo quanto devíamos fazer, e não fizemos. Pedindo a Deus que nos perdoe as nossas ofensas, peço-lhe que nos perdoe aquilo que, com maldade intencional, lhe fizemos. 

Na dívida, inclui-se o que é ofensivo e o que o não é; na ofensa, há um quid que não caracteriza toda a dívida.

Na ofensa, há mais e há menos; e é muito difícil saber-se onde ela começa.

Na dívida, não há gradação qualitativa. A dívida é o que se deve, - seja pouco, seja muito, à superfície, ou em profundidade.

S. Tomás ensinava que o Padre-Nosso era a oração perfeita por excelência: "oratio dominica perfectíssima est" (Sum. Theologica, II.ª da II.ª, questão 83, art. 9.ª in. c. a.).

É pena que haja hesitações, quer em relação ao texto, quer em relação ao lugar em que foi formulada pelo Senhor. E mais de lastimar é que só em S. Mateus e em S. Lucas ela se encontre.

De que termos se serviu Jesus, ao ensinar-nos como devíamos rezar?

Ao que parece, Ele falava o aramaico. Mas o que nós possuímos é a versão grega das suas palavras.

Em que língua ou dialecto foi escrito o Evangelho segundo S. Mateus? É um problema. O que nós temos hoje não é o original, mas a versão em grego popular ou familiar.

Temos que reportar-nos a ela.

Essa oração excepcional, repito, não a reproduzem nem Marcos nem João. Em Marcos só há uma alusão muito vaga ao quinto pedido do Pater (XI, 25). Apenas Mateus e Lucas nos dão conta dela. Mateus, em texto que devemos considerar integral (VI. 9-13); Lucas, em texto que deve ser resumo (XI, 2-4). 

Substancialmente idêntica, num e noutro, a Igreja adoptou o texto de Mateus.

Ora o tradutor de S. Mateus emprega o termo opheilema opheilétes que designam, sem sombra de dúvida, dívida devedor.

Na parábola do Devedor (XVIII, 23-25), o tradutor de S. Mateus emprega sempre termos que dependem de opheilô

S. Lucas distingue: fala em pecado, hamartía; e em opheilonti, os que nos devem (XI, 4).

Quando S. Paulo nos ensina que a quem tem obras, o salário não se contra por favor, mas sim pelo que é devido, sempre o termo opheilema (Pros Romaioys, IV, 4); e quando nos manda dar a todos o que lhes é devido, diz: "apódote pasi tas opheilás" (idem, XIII, 7); e quando, logo a seguir, nos ordena que não devamos nada a ninguém, é opheilete que usa (idem, idem, 8).

Podia multiplicar os exemplos - mas estes bastam.

S. Mateus, através do tradutor, usa, para designar o pecado, a palavra hamartía - menos em dois lugares: no cap. VI, 15, onde emprega a expressão paraptôma.

Assim parece que entre o hamartía e a opheilema, há diferença de que se não pode prescindir. E a Vulgata, onde encontra o opheilema, traduz para debitum; e onde encontra hamartía, verte para peccatum.

Ora o latim não confunde debitum peccatum.

Segundo a Vulgata, o texto de S. Mateus é: "Et dimitte nobis debita nostra, sicut erat nos dimittimus debitoribus nostris".

Giovanni Diodati traduziu para italiano: "E rimettici i nostri debiti, come noi ancora rimettiano a nostri debitori".

Os italianos também distinguem; e tanto que na versão de S. Lucas, eles escrevem: "E rimettici i nostri peccati"

Os tradutores ingleses escrevem: "And forgive us our debts, as we forgive our debtors"; e do texto de S. Lucas dão esta versão: "And forgive us our sins"Debt sin são palavras diversas, de significado diverso.

Lutero traduziu o texto de S. Mateus: "Und vergib uns unsere Schulden, wie wir unsern Schuldigern vergeben".

Também ele distinguiu a dívida do pecado ou ofensa, porque diante do texto de S. Lucas, traduz: "Und vergib uns unsre Sünden".

É certo que, no alemão, a palavra Schuld tem um significado muito amplo - que vai desde a dívida ao pecado; mas não é menos certo que o termo Sünde tem um sentido restritivo: pecado, iniquidade, ofensa. E Lutero adoptando este, ao traduzir o texto de Lucas, cingiu-se ao significado próprio da palavra grega hamartía.

De Valera, o famoso tradutor castelhano, entendeu o texto de S. Mateus desta forma: "Y perdónanos nuestras deudas, como también nosotros perdonamos á nuestros deudores".

Igualmente para Cipriano de Valera, deuda pecado são palavras distintas a designar ideias distintas. E assim, do texto de Lucas, dá esta versão: "Y perdónanos nuestros pecados..."

A Bíblia do Urso, de 1569, no texto de S. Mateus, traduz: "y sueltanos nuestras deudas, como tambien nosotros soltamos á nuestros deudores".

Santa Teresa, no seu notável comentário, traduz o texto de S. Mateus: "Y perdónanos, señor, nuestras deudas, asi como nosotros las perdonamos a nuestros deudores" (Camino de perfección, cap. 36).

Tôrres Amat traduziu o  texto de S. Mateus: Y perdónanos nuestras deudas, asi como nosotros perdonamos a nustros deudores"; e o de S. Lucas: "Y perdónanos nuestros pecados...".

Em português, a versão mais antiga que conheço é da Regra de S. Bento, nos princípios do séc. XIV, se é que não é anterior: "...na qual dizem Senhor, perdoa a nos as nossas dividas, assi como nos perdoamos aos nosso deuedores, quer dizer, perdoa-nos os nossos desfalecimentos e errores assim como nos perdoamos aos que nos erraron." (Regra de S. Bento, cap. 31; edição de J. J. Nunes).
Segue-se a de João Claro [1] (sécs. XV - XVI): "...rogamos-te que nos perdoes as nossas dividas,s. nossos pecados, assi como nós perdoamos aos nossos devedores..." (in- Colecção de Inéditos portugueses dos sécs. XIV-XV, 1, pág.218).

João de Barros traduziu: "E perdoa-nos nossas diuidas, assi como nós perdoamos aos nossos devedores" (Cartinha, pág. 14, da edição de 1785).

Ferreira de Almeida que, como é sabido, fez tradução pessoal, deu assim o texto de S. Mateus: "E perdoa-nos nossas dívidas, assi como nós perdoamos a os nossos devedores" (edição de Londres, 1819). E o de S. Lucas: "E perdoa-nos nossos pecados...".

O Pe. António Pereira de Figueiredo traduziu o texto de S. Mateus: "E perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós também perdoamos aos nossos devedores" (edição de 1818, tomo VI, pág. 23). E o de S. Lucas: "E perdoa-nos os nossos pecados..." (idem, pág. 262).

E em francês?

Em francês, há variantes.

Pe. Garrigou-Lagrange O.P. grande referência para os estudos na FSSPX traduz "dívidas"

Louis Segond traduziu o texto de S. Mateus assim: "pardonne-nous nos offenses, comme nous aussi pardonnos à ceux qui nous ont offensés" .E o de S. Lucas: "pardonne-nous nos péchés, car nous aussi nous pardonnons à quiconque nous offense".

Mas o Pe. Crampon traduz de S. Mateus: "Remettez-nous nos dettes, comme nous remettons les leurs à ceux qui nous doivent".  E S. Lucas: "et remettez-nous nos offenses, car nous remettons nous-mêmes à tous ceux qui nous doivent".
O tradutor do Didaché: "Remets-nous notre dette comme nous remettons aussi la leur à nos debiteurs".

O Pe. Lagrange, O. P., um dos primeiros exegetas contemporâneos, traduziu o texto de S. Mateus, desta forma: "et remettez-nous nos dettes, comme nous-mêmes remettons à ceux quis nous doivent" (Évangile selon St. Matthieu, pág. 131; L'Évangile de Jésus Christ, pág. 321).

E ao de S. Lucas tradu-lo assim: "et remettez-nous nos péchés..." (Évangile selon Saint Luc, pág. 323).

D. Gaspar Lefebvre, quando fornece as orações da manhã, traduz o texto de S. Mateus: "Pardonnez-nous nos offenses, comme nous pardonnons à ceux qui nous ont offensés" (Missel quotidien et vespéral, pág. 44).

O Pe. Didon traduz o mesmo texto: "Remettez-nous nos dettes, comme nous remettons les leus à ceux quis nous doivent" (Jésus Christ, I, pág. 331).

O Pe. Pègues, o grande comentador de S. Tomás, dá, do texto de S. Mateus, duas versões: "Remettez-nous nos dettes, comme nous remettons les leurs à ceuz quis nous doivent" (Somme Théologique, II IIª, questão 83, artigo 16; IIIª, questão 84, art. 10; Suplemento, questão 99, artigo 5).
E "Pardonnez-nous nos offenses comme nous pardonnons à ceuz qui nous ont offensés" (Jésus Christ dans l'Évangile, I, pág. 35).

O Pe. Ferdinand Prat, S. J., alegando que "offense et dette sont synonimes", confessa no entanto, que "littéralement, il faudrait traduire: «Remettez-nous nos dettes, comme nous avons aussi remis à nos débiteus»" (Jésus Christ, I, pág.35).

O Pe. A. Tanquerey traduz: "pardonnez-nous nos péchés comme nous pardonnos à ceux qui nous ont offensés" (Précis de théologie ascétique et Mystique, §516).

O Pe. Lavergne, dominicano, traduz os dois textos, o de S. Mateus e o de S. Lucas: "et remettez-nous nos dettes comme (car, em S. Lucas) nous-mêmes remettons à ceux (à tous ceux, em S. Lucas) qui nous doivent" (Synopse des quatre évangiles, §160).

Não aceito sem reservas, a afirmação de que offense e dette sejam sinónimos; mas que o sejam, a tradução literal, na opinião do Padre Prat, devia dar-nos dette; e é evidente que as traduções literais são de preferir às traduções literárias.


[1] Não tomo em consideração a que Barbosa Machado atribui a um Zacarias de Paio Pele, em sua Biblioteca Lusitana, porque mesmo na hipótese de que os Dez mandamentos que son dictos moraaes e naturaaes fossem desse inidentificativo cisterciense, estávamos diante de uma tradução literária, mais interpretativa do que outra coisa, como homem pode ver na Colecção de Inéditos portugueses dos sécs. XIV e XV, pág. 142.
O Catecismo de D. Diogo Ortiz, tão gabado por Cenáculo, é posterior ao texto de Fr. João Claro. Presumo que a da Regra de S. Bento é, efectivamente, a versão mais antiga da matéria que me interessa.

[*nota fidelissimus: pode o leitor ficar confuso neste ponto porque o autor não especifica se a ofensa é em sentido geral. ou apenas a Deus, etc. . De qualquer forma, o desenvolvimento clarifica.]
 
(eis a continuação na III parte)

O Santo do Dia - Santa Luzia (13 de Dezembro)

(ver anterior, dia 11)

Santa Luzia
(13 de Dezembro)
Virgem e Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

Padroeira da Siracusa e da Sicília, é uma das santas mais populares na Itália. Só em Roma há nada menos de 20 igrejas com o seu nome.
A Igreja venera nesta jovem o duplo testemunho da virgindade e do martírio, quer dizer, a virtude no grau mais elevado, aliada à fidelidade mais heróica. Sta. Luzia sofreu o martírio pelos princípios do século IV. 



(continuação, dia 16)

O Santo do Dia - São Dâmaso (11 de Dezembro)

(ver anterior, dia 10)

São Dâmaso
(11 de Dezembro)
Papa e Confessor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Arquivista da Igreja de Roma, antes de suceder, em 366, ao Papa Libério, na cadeia Pontifical, continuou, depois de Pontífice a ocupar-se, com afnco, da História e do culto dos Mártires, e restam-nos ainda, nas catacumbas, numerosas epitáfios da sua lavra. Combateu as heresias do seu tempo, e, particularmente o Arianismo, e confiou ao génio São Jerónimo o cuidado de fixar o texto duma nova tradução latina da Sagrada Escritura. Morreu a 11 de Dezembro de 384. 



(continuação, dia 13)

O ERRO CHAMADO AMERICANISMO

Leão XIII
Manda a necessidade que publiquemos sobre o erro do Americanismo. A este respeito anda um resumo na Enciclopédia Luso Brasileira:

AMERICANSIMO - TEOL. Chamou-se A. ao movimento religioso de inspiração naturalista e liberal que surgiu em algumas dioceses dos E. U. A., em fins do séc. XIX. Este movimento, que tinha em vista facilita as conversões à Fé, mediante uma conciliação entre a tradicional doutrina católica e as novas aspirações da religiosidade moderna, excitou várias reacções e polémicas, sobretudo na França, tendo sido finalmente condenado por Leão XIII, com a sua carta Testem benevolentiae, de 22.1.1899. As boas intenções dos promotores das novas doutrinas foram claramente demonstradas pela sua pronta e incondicional submissão ao Papa.
Principais pontos de doutrinas condenados:
1) A Igreja deve adaptar-se às exigências modernas, mitigando as suas formulas tanto disciplinares como dogmáticas. 2) Deve favorecer-se o espírito de liberdade individual, em assuntos tanto de moral como de fé. 3) As verdades naturais devem preferir-se às sobrenaturais; as virtudes activas, às passivas. A direcção espiritual e os votos religiosos inconvenientes para o espírito moderno não são requeridos para a perfeição cristã.

O Santo do Dia - São Malquíades (10 de Dezembro)

(ver anterior, dia 8)

São Malquíades
(10 de Dezembro)
Papa e Mártir
(comemoração - paramentos vermelhos)

S. Malquíades, que tanto sofrera nas últimas perseguições, teve, antes de morrer, a dita de ver a paz restituída à Igreja pelo Édito de Milão, em 313. Morreu em 314.






(continuação, dia 11)

O Santo do Dia - Imaculada Conceição (8 de Dezembro)

(ver anterior, dia 7)


Imaculada Conceição da Santíssima Virgem
(8 de Dezembro)
Padroeira Principal de Portugal


(festa de 2º classe - paramentos brancos)

«Tota pulchra es. Toda formosa és, ó Maria, e não há em vós mácula original.» Este grito de espanto, que faz de portada ao ofício da Imaculada Conceição, corresponde bem aos sentimentos, que dominam a humanidade, ao ver-se presa da sordidez do mal, na presença da pureza irradiante da Virgem Santíssima. Decretara Deus, desde toda a eternidade, fazer de Maria a Mãe do Verbo Encarnado e, por essa razão, a revestiu com as galas da santidade e lhe tornou a alma morada digna para seu Filho. A redenção total, que desde a Conceição, preservava a Senhora do contágio do mal, não deve separar-se da nossa própria redenção operada por Jesus Cristo. Colocada no coração do Advento, a festa da Imaculada Conceição anuncia os esplendores da encarnação redentora. Instituiu-a Pio IX, depois da proclamação do dogma, em 8 de Dezembro de 1864, mas esta solenidade tinha já, na história da Igreja, mais de um precedente. 

Já no século VII se celebrou no Oriente a festa da Conceição da Virgem Santíssima e no século IX e XI vamos encontrá-la respectivamente na Irlanda e na Inglaterra. Estas festas antigas são a voz da Tradição a testemunhar, a respeito de Nossa Senhora, o culto ininterrupto da sua pureza imaculada, e Pio IX, definindo dogma a Imaculada Conceição, não fez mais que precisar, em termos teológicos, o que vinha sendo, através dos séculos, a Fé constante da Igreja. 


(continuação, dia 10)

O Santo do Dia - Santo Ambrósio (7 de Dezembro)

(ver anterior, dia 6)


Santo Ambrósio
(7 de Dezembro)
Bispo, Confessor e Doutor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Magistrado romano, Ambrósio governava Milão, quando o povo o escolheu para ocupar a cadeira episcopal da cidade. Como figura de grande prestígio que era, veio a desempenhar, no decurso do múnus episcopal, papel de extraordinário relevo. Foi conselheiro do Imperador, combateu energicamente a heresia, levou, com a firmeza esclarecida da sua grande calma, Teodósio a penitenciar-se, publicamente, do massacre de Tessalónica e, finalmente, como remate dum pontificado brilhante, conduziu ao seio da Igreja Sto. Agostinho, cuja doutrina havia de ser a fonte inesgotável de toda a cultura medieval. É com o seu convertido Sto. Agostinho, com S. Jerónimo e S. Gregório um dos quatro grandes Doutores da Igreja latina. Morreu a 4 de Abril de 397. A festa de hoje memora o aniversário da sua consagração episcopal. Foi autor de numerosos hinos litúrgicos e introduziu no Ocidente a recitação coral dos salmos. ´


(continuação, dia 8)

O Santo do Dia - São Nicolau (6 de Dezembro)

(ver anterior, dia 5)

São Nicolau
(6 de Dezembro)
Bispo e Confessor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

A popularidade de S. Nicolau é quase tão extraordinária como a escassez de informes, com valor histórico, respeitantes à sua vida. 
Era bispo de Mira, na Ásia Menor, pelos princípios do século IV. O seu culto, que logo se espalhara no Oriente, atingiu sobretudo, a Europa Central, por 1087, quando lhe transladaram as relíquias à cidade italiana de Bári. Então se lhe consagraram numerosas igrejas, e a iconografia multiplicou-lhe as imagens. A lenda alterou, a prazer, a personalidade do Santo. Recordemos um dos mais famosos milagres que se lhe atribuem - o da ressurreição dos três meninos que um tasqueiro perverso sepultara na salgadeira; e também é bem não fique sem lembrança a bela tradição das terras do Norte, da visita que o Santo anualmente faz às crianças bem comportadas e dos presentes que nessa altura lhes dá. 


(continuação, dia 7)

O Santo do Dia - São Sabas (5 de Dezembro)

(ver anterior, dia 4)


São Sabas
(5 de Dezembro)
Abade
(comemoração - paramentos brancos)

Foi um dos principais criadores do monaquismo na Palestina e deu, com sua regra, impulso notável a toda a vida religiosa do Oriente. Fundou diversos mosteiros de que ficou célebre o que tomou o seu nome. Morreu em 532. O culto do Santo foi introduzido em Roma, no século seguinte, por monges orientais, que para ali fugiam à perseguição dos árabes. 



(continuação, dia 6)

O Santo do Dia - São Pedro Crisólogo (4 de Dezembro)

(ver anterior, dia 2)


São Pedro Crisólogo
(4 de Dezembro)
Bispo, Confessor e Doutor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

Elevado à cadeira episcopal de Ravena, por volta de 433, em consequência duma aparição de S. Pedro ao Papa Xisto III (a oração da Missa alude ao milagre), S. Pedro Crisólogo foi um dos maiores prelados do século V. A eloquência rara, de que a natureza e a graça o dotaram, e a segurança doutrinal da sua pregação valeram-lhe o cognome de Crisólogo, que significa «palavra de oiro», e mereceram-lhe o título de Doutor da Igreja. Morreu em Imola, por 450.






No mesmo dia:
Santa Bárbara

(4 de Dezembro)
Virgem e Mártir
(comemoração - paramentos vermelhos)

Sta. Bárbara sofreu no Oriente o martírio, provavelmente pelos fins do século III ou princípios do IV. Quase nada sabemos desta mártir, mas é certo que o seu culto se divulgou amplamente através do mundo cristão. Invocam-na como padroeira dos artilheiros e mineiros, e é também advogada da boa morte. 




(continuação, dia 5)

O Santo do Dia - São Francisco Xavier (3 de Dezembro)

(ver anterior, dia 2)


São Francisco Xavier
(3 de Dezembro)
Confessor
(festa de 3ª classe - paramentos brancos)

A companhia de Jesus gloria-se, com razão, de contar entre os seus fundadores o maior apóstolo do século XVI. Companheiro de Sto. Inácio em Paris, foi por ele conquistado para a causa de Jesus Cristo e enviado ao Oriente, onde se tornou o grande missionário da Índia e do Japão. Ao longo das suas viagens apostólicas, multiplicava os milagres e arrastava consigo a alma daqueles povos.

Morreu em 1552, com 46 anos de idade, quando se preparava para entrar na China. Pio X declarou-o padroeiro das Missões. A todos os títulos, pois, a sua festa nos recorda os deveres do apostolado que nos incumbem, e é um convite instante a que secundemos, com nossas orações e esmolas, a obra missionária da Santa Igreja. 


(continuação, dia 4)

O Santo do Dia - Santa Bibiana (2 de Dezembro)

(ver anterior, 30 de Novembro)


Santa Bibiana
(2 de Dezembro)
Virgem e Mártir
(festa de 3ª classe - paramentos vermelhos)

Sta. Bibiana é com Sta. Inês uma das virgens mártires que na Igreja de Roma gozaram sempre de particular veneração. O Papa Simplício (468-483) consagrou-lhe no Aventino uma basílica que ainda hoje se conserva. 

(continuação, dia 3)